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  Will Calhoun, baterista do Living Colour

 

 apresentou-se com seu grupo, o "Will Calhoun´s Native land Experience" no

 

 Mistura Fina, dia 24/05, deixando a platéia hipnotizada

 

                                                                  

                                                                          

A platéia que foi assistir ao show do baterista Will Calhoun, no Mistura Fina, sábado, dia 24/05, composta na sua maioria por instrumentistas - dividi uma mesa com três bateristas e uma produtora - como é comum em shows de jazz, parecia hipnotizada por aquela figura negra, de visual totalmente diferente do que se costuma ver em músicos de jazz : cabelo rastafari, calça amarela e bata africana colorida . Cheio de ginga, Will poderia ser  facilmente  confundido com um percussionista baiano, de passagem pelo Rio. Isso até ele abrir a boca e logo em seguida começar a tocar. Aí não tem como não ver (e ouvir) que estamos diante de um exímio baterista, um músico do Bronx, graduado na  Berklee School of Music em Boston, com diploma de Bacharel em Música e Engenharia de  Produção, ganhador do prestigiososo Prêmio Buddy Rich Jazz Masters Award pela sua virtuosa performance como baterista. O curriculum do cara é muito rico, mas vou ficando por aqui. Suficiente dizer que ele toca á sério e muito bem.
 

 

O músico, que ao contrário de setembro do ano passado, quando tocou com o Living Colour, no Circo Voador, desta vez, veio acompanhado de seu grupo de jazz,  o Will Calhoun´s Native Land Experience, formado por Corey Wilkes (baixo), Marcus Strickland (trompete), Mark Kelly (saxofone) e Mark Carey (piano e teclado), com o qual apresentou-se quinta e sexta, no Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras, além do show que fez para quem não pode ir ao balneário, no Mistura Fina. Ainda bem, porque foi puro deleite assistir aqueles cinco negões tocar. Will, desta vez na condição de band leader, foi um pouco econômico naqueles longos, e nada entediantes, solos de bateria com o qual costuma 'espancar'' a platéia. Ele ficou ali, meio lambendo a cria, meio mestre de cerimônias, deixando o espaço para os jovens músicos do seu grupo tocarem. E os músicos não deixaram barato. Foi aquele climão de jam session, de farra entre eles, mas totalmente captada, sentida e acompanhanda pela  platéia.

 

Muito bom. Deu até frio na barriga. Mesmo para aqueles que não são especialistas no assunto, como é o meu caso, foi emocionante e prazeroso assistir ao show, porque os músicos tocam com um suingue que dava até para arriscar uns passinhos de dança. Mas como o espaço e o estilo é bastante reverente, ninguém se atreveu a estender a dança, além do sacudir de ombros. Mas que deu vontade deu. Porém, como é um tipo de som que convida á reflexão e ao relaxamento, foi uma delicia (e um luxo, uh!) ficar ali passando a vida a limpo ao som de "Afro Blues", "Pyramids", "Umoja", "Wave" e "Dorita". Um dos momentos mais marcantes do show, foi quando o band leader ficou sozinho no palco, tocando um instrumento de percussão, onde ele acoplou um pedal para tocar uma célula do maracatu. Arrepiante. As operadoras de celular precisam ouvir isso urgente!

 

Pois é, dessa vez, não teve jeito, além de fazer o esforço imeeenso de ir assistir  o show, como convidada, (vida dura essa, de sitewoman), ainda tive que dar uma camiseta para o referido jazzista. Não a MINHA camiseta, of course, mas uma que mandei buscar na Bahia,quando soube que ele estava vindo tocar na cidade, a toque de caixa, pelo Sedex, que não foi dez, foi mil. A camiseta chegou em cima da bucha, salvando a minha reputação e meu final de semana. Porque ai de mim, se dessa vez eu não tivesse essa camiseta para ofertá-lo.

 

Pois bem, o cara ficou mais feliz que pinto no lixo, foi embora traçando estratégias de lançamento da camiseta lá nos steites e tudo. Sei não, do jeito que ele ficou feliz com a camiseta, estou pensado seriamente em mudar de ramo e tornar-me uma mulher de negócios, tipo sacoleira internacional. Acho que a partir de agora vou vender camisetas pros amigos dos amigos de Will.

 

 

                                                                                   

                                                    

 

Agora falando sério, Will Calhoun além de um grande músico, é um trabalhador incansável. Tem feito importantes contribuições aos trabalho de  artistas como B.B. King, Mick Jagger, Jaco Pastorious, Harry Belafonte, Pharoah Sanders, Jack Dejohnette, Paul Simon, Lou Reed, The Allman Brothers, Lauryn Hill, Marcus Miller, Dr.John, Carly Simon, Herb Alpert, Rolling Stones, Ron Wood, Wayne Shorter (no disco "High Life", que ganhou um Grammy) e dos grupos de rap Run-DMC e Public Enemy, e ainda produz, toca e compõe.

 

O tempo desta vez foi escasso, depois das apresentações em Rio das Ostras e no Mistura Fina, ele aproveitou para descansar um pouco, ir á praia com seu grupo e cumprir outros compromissos profissionais, antes de seguir para fazer apresentações no Uruguay. Mas não sem antes bater cabeça: "estou muito feliz de voltar a tocar no Brasil, o astral desse país é incrível, sempre me deixa muito inspirado", e depois descrever com entusiasmo a platéia que foi assisti-lo no Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras: "tocamos ao ar livre, á noite, e também durante o dia, para um público formado por pessoas de todas as idades, onde se via mamães com seus carrinhos de bebês...além disso tem a hospitalidade brasileira, as pessoas estavam muito receptivas ao show, e esse calor humano é fundamental para nós músicos".

 

Falou com bastante entusiasmo também do seu mais novo trabalho solo, um pacote que inclui CD e DVD, produzido por Charles Kliment e o próprio, intitulado "Native Lands"que  será lançado  pelo selo Half Notes, no próximo dia 02 de junho. A lista de artistas que participam do disco também  é extensa: Pharoah Sanders, Mos Def, Stanley Jordan,Kevin Eubanks, Marcus Miller, Buster Williams,Cheick Tidiane Seck,Wallace Roney, Antoine Roney, Orrin Evans, John Benítez, Gregg Marret e o nosso queridíssimo, brasileiro, e não menos virtuoso Mestre pernambucano Naná Vasconcelos. Will é um entusiasta da cena musical pernambucana, vire e mexe está por lá, e sempre que pode faz referência ao Maracatú. É isso aí, Will Calhoun já é quase um brasileiro de Pernambuco.

Se quiserem saber mais sobre o seu trabalho entrem no site www.willcalhoun.com

 

Bjos no coração de todos e todas.
 

Noemia Duque.

 

Rio de Janeiro, 29/05/2008