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D2 |
Galera, o negócio é o seguinte, eu (e a torcida do Flamengo) conhecemos Marcelo D2 de ouvir falar. Defala, de televisão, rádio, jornal, e otras cositas más. Quando o vi pela primeira vez, ao vivo e a cores, na saudosa festa Zoeira, a empatia foi imediata, claro, mas como tudo que é bom deve ter uma pitada de dificuldade para ficar melhor ( em certos casos, melhorar não estraga), eu já estive em inúmeros lugares que o Pilintra-Mor do Rio de Janeiro estava, mas nunca trocamos um dedo de prosa sequer. Não foi por falta de oportunidade, conheço pessoas que trabalham com Marcelo - Aori, Marechal – outras que conhecem o Marcelo, das antigas, e nada. Com o tempo e o crescimento do “bicho”, passei a ter um pouco de medo. Pensava assim: se um dia eu for falar com ele, acho que o cara vai virar as costas. Os amigos diziam: que nada, Marcelo é show, Marcelo é dez, Marcelo é maneiro, Marcelo é... 'Tão, tá... Bem, chega uma hora na vida que vc tem que enfrentar os seus fantasmas, senão eles ficam te assombrando forever. Eu já estava decidida a ir ao show de Marcelo e depois, se tudo desse certo, ir ao camarim, falar com ele. O quê eu não sabia, mas sabia que devia ir. O encontro estava agendado, por quem não me perguntem, não sejam indiscretos. Mas, eu posso dizer que estava com "Ela" de frente, ‘com a macaca no couro’, blusa de oncinha, calça de cós baixo, á caráter. Fui seguindo por um caminho iluminadíssimo, primeiro consegui comprar um convite na mão de um cambista, por um preço bastante razoável, e bota razóavel nisso, considerando o fato de que era balcão nobre. Entrei, o show tinha acabado de começar. Olhei em volta. Balcão nobre no show de D2? Onde já se viu? Dispensei. E fui pro meio da galera, of course. O show tava beleza, só que estranhei o fato de não haver aquele fog londrino, usual. Em seguida, vi um segurança conduzindo um jovem, que tinha algo na mão, até a saída. Muito estranho, pensei. Logo fui tirar a dúvida com um vizinho de pista, o cara falou; ‘tá brabo, não pode fumar aqui.Nem cigarro’. Logo presenciei várias cenas de seguranças pedindo que pessoas, que se encontravam nas partes laterais da pista, apagassem os seus cigarros, desses vendidos legalmente mesmo, em qualquer botequim. O show seguiu, a galera não deixou de se divertir e de curtir o som por causa disso, mas, em se tratando do Canecão, essa proibição foi mais estranha do que o c-ú da jia. Bem, mas o show foi demais, e isso superou todas as “outras coisas”. Há muito tempo que eu não via um show tão bom, a banda que acompanha D2 só tem fera, e o resultado a gente vê no som, tem peso, atitude, rítmo e também melodia. Cada vez mais “Ele” mergulha na brasilidade e centrifuga tudo, junto com as influências de fora, no seu processador particular. Muito bão, antropofagia pura. Um dos momentos marcantes para quem já conhece o seu repertório foi a inclusão de “Cultura Racional” de Tim Maia. Pule de mil. Mais pro final, o show vira o maior bailão funk, com Catra no comando. Vem, vem, vem, vem, Juliana, Damiana, Sebastiana, vem, vem, vem, vem...Teve Fernandinho Beat Box, mandando nos scratchings vocais de rock'n'roll a Kraftwerk e Layse...Sapucaí. Em época de eleição, Marcelo não levantou a bandeira de nenhum partido. Partido alí, só o do samba mesmo. Alto, altíssimo. Muito bem, a noite prometia, eu já falei que estava com “Ela” de frente, só atraindo os seres especiais, os outros fugiam que nem diabo da cruz. E a promessa se cumpriu, encontrei uma irmã de ofício, Andréa Wolf. Já sentia os lobos uivando, com os dentes afiados, brilhando, e a caravana passando. A noite prometia. Pelas mãos de Andréa, adentrei o backstage, passei por uma sala, depois outra, até chegar á porta do camarim do Homem. Três estágios, meu bem, tá pensando o quê? Fiquei lá. Fazendo o quê? Nem sei. Fiquei lá, cumprimentei as irmãs-vocalistas Juju e Kakau Gomes, Déia descolou duas cervejas com o staff, e ficamos lá, conversando com outras pessoas, que também estavam lá. Fazendo o quê? Sei não. Mas fui seguindo uma luz forte, fui indo, até que eu entrei numa de que iria falar com Marcelo e não sairia dali sem fazer isso. O segurança mandou esperar. Três garotos adolescentes estavam na parada para entrar, de repente, um cara da equipe libera a entrada deles, aproveito o ensejo e vou atrás, o cara pergunta pros meninos: ‘tá com vcs’ ? eu falo ‘tô’, os meninos, ‘não’ eu falo ‘não’, o segurança ri e deixa eu entrar. Ôpa, não falei que a noite prometia? Os meninos tiraram fotos junto com o Zé Carioca, digo, com D2, com o celular. Viva a tecnologia! E já iam saindo batidos, quando eu na maior cara de pedra, peço pra eles tirarem uma foto minha com o Zé Carioc..., com Marcelo, que parecia querer encerrar a função, justo na minha vez. Oh céus! Peço pra tirar uma foto com ele, e o cara senta no colo da mulher. Fico alí no meio do camarim, com cara de tacho, e os meninos vão saindo. Peço que eles voltem, eles voltam. Viro pro Zé Car..., pro Marcelo e chamo ele de novo, e ele lá, no colo da mulher, no maior trololó. Os meninos fazem movimento de ir embora de uma vez, aí eu parto pro ataque, faço sinal com o dedo e em resposta, depois de tirar a mó onda com a minha cara - adrenalina pura – Marcelo, sentado no colo de Camila, bate na própria coxa, fazendo sinal para eu me juntar a eles. Mané, eu quase tive um troço alí no meio do camarim...Gritei: car...o! Aí já é demais! Rapá, eu confesso: perdi o chão, o rebolado, tudo. Ah muleque! O recinto tava impregnado de energia positiva, eu simplesmente não atinava com mais nada, apagão geral, boom espiritual, choque. Foi uma das melhores recepções que eu já recebi de um artista, no seu espaço sagrado do camarim, nestes 11 anos de Rio de Janeiro, a última lembrança que me vem á mente, do nível, é o último show do Sepultura no Circo, quando ganhei até pulseira vip. Ele, acredito que percebendo a minha perplexidade, resolveu colaborar, levantou-se, e gentilmente, tirou uma foto bem “normal” comigo. Não sentei, fisicamente falando, no colo DELES, mas espiritualmente, sinto-me como se sentado estivesse. Oh Diliça! ‘Dorei. Acredito que dentro do código local, não fiz feio, e da minha parte, senti-me bem recebida, “em casa”. Eu não disse que a noite prometia? Em se tratando de Marcelo (e família), pelo seu histórico, menos é que não dava pra ser, né galera? Oxente. No fundo, no fundo, eu já sabia que no dia que eu encontrasse com ele, e os seus, assim de frente, rolaria uma energia muito boa. Marcelo (cabra porreta!) confirmou a sua autenticidade. Foi uma noite muito linda, com a criançada marcando presença, (Salve a Bejada! Tsssss), família, pessoas legais, uma comunidade, algo assim como...um sonho bom. Na manhã seguinte, quando acordei, ainda sob o efeito D, escrevi esse texto de uma sentada. Ops. É, o show de D2, mantendo o respeito, fazendo favor, que esse negócio de não poder fumar no Canecão é algo...como dizer...inacreditável, no atual momento brasileiro, foi ducarai. Ducarai mermo, mermão. Muito foda como dizem os paulista e dizemos nosotros. Marcelo se supera a cada dia, surpreende. Um cara que parecia superstar, agora é, já é. Está bem na fita, num dos melhores momentos de sua belíssima carreira. Marcelo está sendo tudo de bom. D2, esse home é de respeito! D2, nós também temo o direito. Hein? Exuzão! Pau Durão! Que venham outros shows como esse, quod abundant non nocit! Viva Marcelo! Viva a Música Brasileira! É nóis.
Pensando (nem tão) bem assim... Tósca era tôsca, gente fina é otra cosa.
Falando sério... A Malôka é maluca pelo Môloko Será que o Japinha faz chapinha? Raica Oliveira, um dos nomes da dignidade feminina. Raica representa! Ê Felipe é Massa! |
A ZION TRAIN CAME IN MY WAY
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Domingo desses, tava eu em casa, já me preparando para enfrentar a inevitável segunda-feira, quando resolvi ligar pra casa de um grande amigo meu, conhecido baixista, de uma conhecida banda. A muié dele atendeu, papo vai, papo vem, ela pergunta, a mando do dito cujo, se eu queria ver o show de uma banda de reggae no Odisséia? 'Que banda é?' "Zion Train". Zion what? Mas esse é o nome de uma canção de Bob Marley! Tá bom. Lá fomos nós. Nem te conto. Conto sim. Demais o som dos caras, quem viu está hipnotizado até hoje, que o efeito do "bagulho" é duradouro. O Dj Neil Perch, aha! E o Mc Dubdadda, uhu! destruíram tudo. A apresntação do Digital Dubs só fez somar, representou bem o dub nacional. Os meninos arrebentaram com a ajuda de peso do Nobre Rás Bernardo. Quem viu,viu, quem não viu..., precisa correr atrás do prejú. Entra no site correndo, anda! Boa viagem. Mas não esqueçam do cinto de segurança. 100% Fernanda
Não é minha intenção transformar esta coluna em um universo particular, com licença de Dona Marisa, Monte. Mas como o meu universo (particular) é bastante público, pois como diria o meu saudoso amigo jornalista baiano Béu Machado, “meus bens estão todos confiscados”, então, posso dividir tranqüilamente com vocês, o segredo que trago guardado a sete chaves dentro d´alma, faz um tempão. O motivo de inquietação atende pelo nome de Fernanda. Mas precisamente Abreu. Comecei a notar a existência de Fernanda, quando ela já estava em carreira solo. Foi quando, se não me falha a memória, ela lançou o seu primeiro disco SLA – Be Sample. Não sei o que acontece, é o tipo da coisa que não dá para racionalizar, mas quando vi Fernanda cantando ( e dançando) pela primeira vez, pensei: essa tem borogodó. Não deu outra, no seu próximo disco, se não me falha a memória again, ela veio com tudo, virou funkeira. Uhu! É ela! A partir dali Fernanda tornou-se, pelo menos para mim, a representação do carioca antenado, cosmopolita e bacana. Porque toda essa conversa? Because Fernanda is forever. Fernanda é como os bons vinhos, o tempo só ajuda a melhorar a sua qualidade. E há muito tempo que trago essas impressões guardadas só para mim. Como sei que não sou a única (nem o único) pessoa que a ama, resolvi me revelar e dividir esse sentimento. Quando ainda morava em Salvador, ouvia Fernanda cantando no rádio e pensava nela como uma sista, alguém bastante chegado, intímo, cúmplice. Não sei se é porque temos algumas coisas em comum, como o fato de ter formação de dançarina, fazer música, além de não levar desaforo pra casa e gostar de dar á cara a tapa, mas o fato é que, quando eu ouvia Fernanda, a sintonia era completa e imediata. Uma vez eu estava em uma festa na casa de uns amigos estrangeiros, e de repente, tocou “Rio 40 graus”, quando dei por mim, estava dançando em cima da mesa, com a galera em volta em um extase coletivo. Efeito Fernanda. Sempre acompanhei o trabalho dela com interesse e curiosidade, com uma certeza de que no dia que a encontrasse, seria bem tranquilo, natural. Pois tive essa certeza em 1993, quando ela apresentou-se com a sua banda na Feira da Bahia, uma espécie de Festival de Verão da época. Eu estava com um estande de xequerés, dentro da área do evento, instrumento de percussão, feito de cabaça, cordão e contas, que eu fabricava e vendia para poder completar o orçamento e continuar, assim, pertinho da música. O estande era dentro da área do evento, quase em frente ao palco e o meu crachá permitia ir ao camarim, sem ser importunada pelos seguranças. Quando eu gostava da atração, sempre ia ver o show e aproveitava para tentar vender uns xequerés. Lembro que teve vários artistas legais, mas como hoje é dia de Fernanda, vamos á ela. Na sua banda tinha um músico muito comunicativo, o guitarrista, que brincava com os xequerés, falava, ria, gesticulava, tudo ao mesmo tempo. Uma figura. Só sei que nesse clima afável, assisti á primeira metade do show na platéia, e o final no backstage. Aí, os músicos saem do palco, e de novo, o expansivo guitarrrista (sempre eles) veio em minha direção e pediu “toca aquele rítmo, de novo, aí”, aí comecei a mostrar o feijão com arroz, toquei uma célula do ijexá, quando vi, a banda toda estava á minha volta, inclusive Fernanda que chegou, silenciosa, tranquila, e que, depois de fazer um show belíssimo, com um figurino de night, vestia uma blusa toda rasgada, ficou ali escutando com a maior atenção, em família. Estava firmada ali, uma parceria silenciosa. Quando em 1995 mudei para o Rio, Fernanda, sem dúvida, era uma das referências que eu tinha, do que era ser carioca. Fui a alguns dos seus shows, e tive a sorte de ser (re)apresentada a ela, em mais de uma oportunidade, por amigos comuns, o marido de uma amiga, tocava baixo na sua banda, na época. Tenho acompanhado o trabalho dela, com a certeza de que Fernanda é pra sempre. E é claro que não dá para falar de funk carioca, sem passar por ela, que foi uma das primeiras pessoas do outro lado da “cidade partida” a acreditar e apostar no rítmo, numa época em que ele era visto, como coisa de favelado e bandido. Hoje, que está na moda, é fácil gostar, por isso, para ser justa com os fatos, Fernanda tem que ser, no mínimo, destacada. Porque Fernanda é neguinha, é branquinha, é chique, é poposuda, quando alguém pisa no seu calo, desce o barraco, quando implica com algo é nojenta (bem nojenta!), mas também é legal, do bem, sensível, feminina e guerreira. Fernanda é de verdade, de carne e osso, não é de brinquedo, nem de brincadeira, não. Fernanda é T-U-D-O. É por isso que eu não tenho vergonha de assumir: as mulheres (e homens) da minha vida são muitas/os, minha mãe, minha filha, minha madrinha, minhas irmãs, minhas amigas; meu pai, meu filho, meus irmãos, meus amigos, mas como hoje é dia de Fernanda, serei breve: sou 100% Fernanda. I love Fernanda. Hã? É sapo, perereca e rã. Hã, hã...Nóis. Beijo em todos e todas.
Fotos / links Marcelo D2 - http://www.marcelod2.com.br/ Fernanda Abreu: http://www.fernandaabreu.com.br/ Zion Train - http://www.wobblyweb.com (foto Joca Vidal) Noêmia Duque é cantora, compositora, poeta-escrevedora, formada em Letras e Inglês pela UFRJ. Rio de Janeiro, 28/10/2006
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