A sétima edição do Hutúz Rap Festival teve a sua cerimônia de abertura, dia 04, no Viaduto Negrão de Lima em Madureira, RJ. Na parte musical, o evento começou com o Hutúz Latino Americano dia 07, no CCBB, com a apresentação do rapper chileno Zaturno que junto com o MCs Sammy Houston, a rubia MC Soledad e um DJ mostrou o seu rap cheio de elementos afros, indígenas, música árabe, letras politizadas que ressaltam os valores humanos essenciais, o amor romântico e também um discurso contundente em defesa da legalização da marijuana www.zaturno.clDia 14 foi a vez dos Los Zombres, banda do Espírito Santo que faz um rap com influência de ritmos afro-caribenhos usando instrumentos de sopro e percussão característicos e cujo trabalho pode ser conferido no endereço www.myspace.com/loszombres  Enquanto no dia 21 o rapper argentino Emanero de apenas 18 anos www.superfonke.com  junto com um MC e um DJ, arremessou as suas letras de forte conteúdo político-social para um teatro lotado de crianças, adolescentes e adultos. A próxima atração, dia 28, será o grupo de rap uruguaio Contra Las Cuerdas www.contralascuerdas.com.uy

     
 

PRÊMIO HUTÚZ

 

A sétima edição do Prêmio Hutúz, que este ano enfatizou a música e os esportes, teve a apresentação da dupla Negra Li e Robson Caetano, e foi, como dizem os paulistas, “da hora”.  A presença de Negra Li conferiu legitimidade á cerimônia, que celebrou a maturidade do rap nacional e teve entre os escolhidos para a entrega dos prêmios, Caetano Veloso, Marina Lima, a ex- atleta Aída dos Santos, Fernanda Keller, as jogadoras de vôlei Isabel e Jacqueline, a Ministra Matilde Ribeiro, a atriz Chica Xavier e a apresentadora do Globo Esporte Lica Oliveira, entre outras personalidades de diversas áreas.

O Facção Central que venceu em duas categorias, levou os prêmios mais importantes da noite, o de Álbum do Ano e o de Melhor Grupo ou Artista Solo e os Inumanos, levaram o de Melhor Videoclipe com “Polegar Opositor”.  Porém, o destaque entre os destaques este ano foi o grupo de rap Atitude Feminina, formado pelas brasilienses Aninha, Gizza Black, Hellen e Jane Veneno, que confirmando a boa representatividade feminina esse ano em todos os eventos do festival, ganharam o prêmio de Revelação do Ano, concorrendo em uma categoria mista. Com discurso afiado e atitude guerreira elas discursaram “a gente está muito feliz por ter ganho este prêmio, competindo com vários homens e mostrando que a mulher também tem a sua força, é nóis véio!” Mandaram em coro.

 A festa teve também dois momentos “família” quando Will, ganhou o prêmio de Melhor DJ de Grupo, recebido pelo pai “meu, é muito bom ver que ele está se desenvolvendo, porque o rap proporciona essa prosperidade, mas o mérito é dele”  disse um orgulhosíssimo KL Jay. Outro momento “emoções” foi quando vários companheiros do homenageado desta edição, o rapper paulista Helião, fundador do grupo RZO, entre eles Negra Li e Mano Brown, deram depoimentos emocionados e lembraram que muito do que está acontecendo de positivo na carreira de vários integrantes, teve início na “lage de Helião”, um point de encontro musical e um local onde vários projetos tiveram início, projetos estes que agora com a repercussão da série de televisão “Antônia”, só fazem aumentar o orgulho não só dos ex-integrantes do RZO mas de toda a nação hip hop.

     
 
 
 
Robson Caetano e Negra Li
 

O troféu, ou o peso deste, foi um show á parte e as brincadeiras inevitáveis. Quem teve a oportunidade de conferir, sentiu que o troféu devia pesar mais de um quilo, então, algumas personalidades ao entregá-lo, aproveitavam para tirar uma casquinha. O motivo de se fazer um “troféu de peso”, literalmente falando, não é sabido, mas pelo visto isso não diminuiu a alegria de conseguir realizar mais uma premiação e celebrar o amadurecimento de um movimento político-musical, que chegou ao Brasil para ajudar a melhorar a vida de diversas pessoas, que vivem em comunidades com sérios problemas estruturais. O ator Jonathan Haagensen, presente na festa, fez coro ao discurso politizado “eu acho importante estar aqui, porque o hip hop é um movimento que valoriza o ser humano, dá uma posição bacana pra gente na sociedade e ajuda a conquistar nosso espaço e a fazer nosso trabalho com dignidade”, disse com firmeza.

 

  Foto: Fabiana Cruz

 

Ministro Gilberto Gil e Happin Hoop

A premiação teve um ritmo ágil, Robson Caetano, não fez feio e driblou a falta de intimidade com a área musical com seu jogo de cintura de atleta, representou direitinho com a ajuda luxuosa da “Rainha” Negra Li, que esteve excelente, e por estar no seu habitat, como se diz no meio, mandou um papo reto, não desperdiçou palavras, esbanjou charme e no final ainda cantou e mostrou as belas pernas para uma platéia que já estava totalmente ao seus pés, uma “covardia”! Porém, tratando-se de quem era, demorô! A noite contou ainda com as apresentações musicais de Happin Hood em parceria com Gilberto Gil, do rapper angolano MC Kappa e do rapper americano Mos Def.

 

FESTIVAL HUTUZ

 

 
 

Mano Brown 

Sexta

O Festival de Rap que começou sexta-feira, 24, no Armazém Nº 5, do Cais do Porto na Praça Mauá, RJ, vem se consagrando como um evento pioneiro na área, e já é referência não apenas no Brasil, mas também no exterior. As amigas Vera e Mauricéia que vieram de Porto Alegre pelo segundo ano consecutivo, só para curtirem o Hutúz, estavam radiantes, pela oportunidade de verem várias boas atrações em um único festival.  “Estamos gostando muito do evento porque em Porto Alegre tem muitos shows de rap, mas não um festival como esse” disse uma, “falta incentivo” completou a outra. Outro que se mostrou impressionado com o tamanho e a importância do festival foi o MC Nikkfurie do grupo de rap francês La Caution, que entre outros feitos teve um rap Thé à la menthe” incluído na trilha do filme Ocean 12’ de Steven Soderberg  “apesar da cena hip hop na França ter crescido bastante, eu fiquei realmente surpreso com o número de pessoas presentes aqui esta noite, somos de lugares diferentes, não falamos português e termos influências musicais diferentes, mas aqui, hoje, estamos todos na mesma vibe, porque o rap é uma linguagem universal” disse Nikkfurie.

O primeiro dia do festival teve os shows dos grupos Cabal, Charme Faces, Dughettu, Flagrante, Atitude Feminina e o já tradicional encerramento dos Racionais MCs, que este ano incendiou a platéia com as participações das rappers Fly e Flora integrantes do Coletivo Noções Unidas. As meninas invadiram a área, deixando a platéia de queixo caído, devido ao fato incomum, que é, ver mulheres cantando nos shows dos respeitados Racionais MCs. E para quem especulava que o caráter seletivo deles, em relação ás pessoas com quem dividem o palco, cheira á misoginia, machismo e que tais, a gaúcha Fly, chegou para desfazer o mal entendido, “acho que é muito bom estarmos sempre unidos e que a mulher deve estar sempre participando, tem que colar com essa sociedade machista aí fora e mostrar o trabalho, mas os Racionais não são machistas, e eu soube que esta foi uma apresentação histórica”. Perguntado sobre o fato, Mano Brown, como sempre, foi sintético: “a gente abriu um espaço pras minas mostrarem o trabalho”. Mas isso não é algo novo, se tratando dos Racionais, Mano Brown? Ele cortou e arrematou. “As coisas estão mudando”. Xeque mate. Então é isso galera, Brown falou, está falado, porque o Mano (Brown), no meio rap é “Deus”. Então mulheres, se “Deus” é por nóis, quem será contra nóis?

Sábado

O segundo dia de festival, sábado, teve apresentação dos grupos Pavilhão 9, SP Funk, MC Kappa, Horus, com destaque para MV Bill, que com sua poderosa banda que inclui dois violinos, violoncelo, um naipe de sopros, percussão, além da MC Kmilla e do Dj of course, mostrou que o envolvimento em projetos paralelos não está prejudicando a parte musical, e demonstrou estar cada vez mais seguro do seu trabalho como músico. Assistir ao show de MV Bill um dia após o dos Racionais MCs, por um momento, deu a sensação de que o paraíso era aqui. Seguiram-se os shows do convidado especial Mos Def, que depois do furacão Bill, encolheu no mapa, quer dizer no palco, e não teve o mesmo impacto da apresentação do Canecão e o grupo Facção Central que fechou a noite mostrando porque venceram em duas categorias, Melhor Grupo e Álbum do Ano. Os meninos estavam endiabrados, o Exuzão Brown, presente na platéia, devia estar sorrindo. Por dentro.

 
 

La Caution e MV Bill

 

Domingo

O terceiro dia do Festival teve a final da batalha de MCs e B- Boys cujo vencedor foi Beleza, Martin da VR e MCida, e shows dos grupos Costa a Costa, de Fortaleza, vencedor na categoria Melhor Grupo do Norte e Nordeste, Família Kponne, o grupo francês La Caution, MV Bill, Dj Spin Easy e fechando com chave de diamante, mais uma vez, os Racionais MCs. Já era madrugada de segunda-feira e o público presente no Armazém 5 não arredava pé, mesmo sabendo que no dia seguinte a vida voltaria ao normal, depois de três dias de muito rap na veia. Foi preciso as luzes acenderem-se e KL Jay apertar o botão off,  para que a galera voltasse á real e finalmente resolvesse pegar o caminho de casa.

 

Por Noemia Duque.

 Rio de Janeiro, 30 de Novembro de 2006.

  

 

 

 

 

OS PREMIADOS 2006

 

Melhor Vídeo Clipe                                         

Polegar Opositor - Inumanos

 

Demo Masculino

Todos Iguais - Rafuagi

Demo Feminino

Cada Dia - Lica

 

DJ Grupo

DJ Will - Simples

 

Melhor Grupo Norte-Nordeste

Costa a Costa

Destaque do Grafite

Graphis

 

Álbum do Ano

Facção Central - O Espetáculo do Circo dos Horrores

 

Revelação do Ano

Atitude Feminina

 

Melhor Grupo ou Artista Solo

Facção Central

 

Destaque Gospel

3 RG

 

Destaque do Break

New Crew B Boy

 

Melhor Produtor

Erick 12

 

Melhor Música

Dia dos Pais - Inquérito

 

Hip Hop Ciência e Conhecimento

Cooperifa (Sérgio Váz)

 

Direitos Humanos

CIZANE

 

Final das Batalhas de MC e B-Boy -

1º Lugar: Beleza

2º Lugar: Martin da VR

3º Lugar: MCida

 

Rio de Janeiro, 30/11/2006