Doug Wimbish, Corey Glover, Vernon Reid e Will Calhoun Há alguns anos surgiu uma banda de rock que foi uma explosão, o maior buxixo. No Brasil teve direito a clipe no Fantástico, o fino da época, e tudo mais. Mas afinal, bandas de rock lançar “música de trabalho” com clipe na televisão não era nenhuma novidade. Ou era? Sim e não. Se fosse uma banda de rock como as demais, a resposta é sim. Mas o LC tinha um pequeno detalhe que a diferenciava das demais: era formada por Vernon Reid, Will Calhoun, Doug Wimbish e Corey Glover. Quatro negros americanos, virtuosos, que antes de pegarem a estrada do rock, tocavam jazz fusion. Ah... O grupo começou como um trio em 1984, e com a chegada do vocalista Corey Glover, em 1985, tornou-se um quarteto. Em 1995 separaram-se e cada um foi emprestar seus talentos para o trabalho de outros artistas.
Mas antes, estiveram no Brasil, onde tocaram no Hollywood Rock em 92. Vernon Reid, o exímio guitarrista da banda chegou a gravar com Carlinhos Brown e o fantástico batera Will Calhoun apaixonou-se pelo Maracatu, foi conhecer Pernambuco, onde fez um documentário sobre o ritmo afro-brasileiro, pouco antes da dissolvição total da banda. Will, após a separação, viajou pelo mundo tocando no grupo do jazzman Wayne Short eacompanhou Lauryn Hill entre outros “poderosos”. Seis anos depois, eles voltam a encontrar-se e a tocar, lançando um cd em 2003. E depois de alguns rumores, eis que este ano, eles anunciam shows no Brasil. Promessa cumprida, dia 31 de agosto os "Cores Vivas" chegam e fazem tremer as estruturas do Circo Voador. Quem esteve presente viu, ouviu e sentiu. O quarteto “espancou” a platéia com seus instrumentos. Arremessaram o 'hino' "Cult of Personality”, “Type”, "Open Letter to a Landlord”,“Love Rears It’s Ugly Head", "Elvis is dead" "What´s your favourite colour", "Glamour Boys" entre outras, e bisaram com "Should I stay or should I go" (The Clash) e "Crosstown Traffic" (Jimmy Hendrix). Massacration total! E a galera a dizer: bate mais!
Apesar de quase em estado de choque, de emoção, consegui arranjar um pouco de força para tentar chegar perto da banda. Tive sorte, fui introduzida á tenda-camarim pelo baterista e o baixista que veio até o portão, que dá acesso á área restrita, autografar o disco de um rapaz. Já era fim de festa, último dia de show no Brasil, eles já tinham falado com Deus e o mundo, mas mesmo assim, o guitarrista Vernon Reid, o baixista Doug Wimbish e o baterista Will Calhoun, que se apaixonou pela minha camiseta... Ai, ai, ai. Bem, depois que eu, com o coração na mão, fui obrigada a dizer não, não, não...Eu não podia dar a minha camiseta, ela é especial demais para mim... Bem, o fato é que Vernon Reid, Doug Wimbish e Will Calhoun,o cantor Corey Glover sumiu no ar,resolveram me dar uma colher de chá, quer dizer, de prosa, antes do baterista ir afogar a frustração de não ter ganho a camiseta de presente, na Lapa. Oh baby, don´t cry, c´est la vie. Afinal, não se pode ganhar todas. Camisetas.
Entrevista com o grupo LIVING COLOUR Show no Circo Voador – RJ
MPBzona - O Living Colour está de volta á cena?
Vernon Reid - Oh, Legal! Sim, nós temos sido muito bem recebidos pelo público, tanto do nosso país, onde fizemos alguns shows quanto da Argentina, São Paulo e o show desta noite (no Rio) foi maravilhoso! Principalmente porque estamos encerrando a nossa tournée na América do Sul.
Will Calhoun - Oh, Obrigada! É muito legal estar de volta, tocando, viajando...E a América do Sul é um lugar muito especial para fazer isso... E o público (do Circo Voador) esta noite foi fantástico, super fantástico, absolutamente fantástico!
MPBzona - Bem, o Living Colour deu um tempo. E agora, a volta é pra valer?
Will Calhoun - É, paramos “uns minutinhos”, rs. Mas desde 2000 temos tocado juntos. E o LC não deixou de ser minha banda nesses 20 anos, então, voltar a tocar com meus amigos tem sido uma experiência incrível. É bom saber que as pessoas continuam ouvindo a nossa música.
Fotos:MPBzona
Will Calhoun e Corey Glover
Doug Wimbish - Sim, é muito bom estarmos juntos outra vez. Vamos fazer alguns shows e um outro cd e ver o que acontece. Estamos em uma fase de transição, mas muito do que tocamos neste show, certamente entrará no novo disco.
Doug Wimbish Vernon Reid - Nos separamos, mas agora sentimos vontade de tocar juntos, novamente. Então, aqui estamos. Começamos a trabalhar no projeto de um novo disco que se chamará “The chair in the doorway” , e ao que tudo indica o lançaremos pelo selo Megaforce
MPBzona - O rock, originalmente um estilo criado por afro-americanos, depois do surgimento de Elvis parece ter sido deixado de lado pela comunidade negra, como é ser a banda de rock negra mais conhecida do planeta?
Vernon Reid - Bem, não achamos que o rock esteja “divorciado” da comunidade negra ou vice-versa, acho que ele continua presente de várias formas. E fazendo rock, obviamente, estamos conectado com essa realidade. Não se trata de querer ser, ou tentar, ser negro ou branco, e sim, que o rock surgiu na comunidade negra, somos afro-americanos*, somos parte dessa cultura musical. Logo, a utilização dessa linguagem é algo natural nas nossas vidas e trabalho. Mas quando fazemos música, não nos preocupamos em conceituar se o que estamos fazendo é negro ou branco.
MPBzona - Em suma, é apenas rock and roll?
Vernon Reid - Exatamente! Todas as bandas de que gostamos Rolling Stones, Beatles,Led Zepellin, The Clash, The Police, Radiohead, U2, Fishbone, Keane, Heartbreakers, são únicas, especiais. E isso, é o que importa na música.
MPBzona -Mas o som do Living Colour é muito diferente, vocês evocam referencias lá de trás, uma sonoridade com base na old school, mas que soa bem pesado e progressista.
Vernon Reid - Sim, é louco que o nosso trabalho tenha influencias de tantos artistas e canções da velha guarda do rock e R&B como James Brown, Otis Redding, Tina and Ike Turner, Little Richard, Chuck Berry, Jimmi Hendrix, apesar de sermos de outra geração. O que fazemos é processar essas informações junto com outras influencias.
MPBzona - Eu li em um jornal que vocês iriam tocar “Seven Nation Army” do White Stripes mas vocês não tocaram...
Will calhoun - Sim, no último show, nós tocamos, mas hoje, não...
MPBzona -O que vcs acham do movimento hip hop?
Will Calhoun – Eu sou do Bronx... sou da terra do hip hop, então...
MPBzona – Quais nomes do rap você destacaria?
Will Calhoun - Há muita coisa que eu não gosto e pouca coisa que eu gosto. Gosto de Mos Def , Talib Kwali, Public Enemy, Karl Thomas, Lauryn Hill...Adoro Lauryn Hill, de vez em quando eu toco com ela. E o LC tocou no Sugar Hill Records, selo independente de New Jersey, fundado em 1978 e o primeiro a investir no rap, muitas canções de sucesso deste estilo foram gravadas lá.
MPBzona - E da musica brasileira , o que vocês gostam?
Will Calhoun -Maracatu. Adoro maracatu, é um ritmo muito especial...
Por Noêmia Duque
* Vernon Reid nasceu na Inglaterra mas cresceu no Brooklin, New York, onde começou a estudar música. Tradução e edição: Noêmia Duque Transcrição: Viviane de Jesus e Noêmia Duque Rio, 29 de setembro de 2007.
Bastidores: Will Calhoun, baterista, Noêmia Duque com sua camiseta que arrasa mentes e corações e Corey Glover, cantor do Living Colour
|
|