
O ano de 2006 chega ao fim e há quem esteja avaliando os acontecimentos passados e traçando planos para 2007. Tentar errar menos, evitar equívocos, desencontros, ser tolerante com o próximo - e o distante também. Tentar levar uma vida saudável, harmônica, contribuindo com a saúde do planeta, entre outros desejos menos universais e mais individuais. Na hora de escrever o último texto do ano da MPBzona, como sempre, pensei em várias possibilidades. Mas, assim como as gemas, que dizem os experts, escolhem os dedos, orelhas e colos que querem enfeitar, sinto que dessa vez foi o tema que acabou me escolhendo com a ajuda luxuosa do acaso. Sim, porque o tema do último artigo de 2006 é riquíssimo, dá pano para mangas. Mas prometo que tentarei fugir do over e do too much. 2006 foi um ano sem rosto definido. Na área política a situação foi difícil e tensa. Problemas com a vizinhança (Bolívia), vários problemas internos. Diferentemente de há quatro anos, quando houve eleição para Presidente em meio a muitos sonhos e esperanças, dessa vez, a reeleição aconteceu com vários grupos sociais divididos, violência, o caos. Vivemos situações dramáticas em áreas diversas. A Seleção jogou mal, houve atentados em São Paulo , e neste exato momento, o clima no Rio de Janeiro é de incerteza e consternação, pela morte de pessoas inocentes em atentados parecidos. O Reveillon é a preocupação atual e a polícia está reforçando alguns pontos da cidade. Á população só resta torcer para que a Paz volte a reinar e em 2007, e exigir que os governos façam a coisa certa e trabalhem direito em prol do bem estar coletivo. Então, não esqueçam “escreveu não leu, o pau comeu”! Sabemos que a Terra, o mercado, a bola, o LP e o CD, são redondos. Então, essa é para fecharmos o ano redondamente conscientes de que somos humanos, limitados, e que o mundo só não é totalmente cruel, desigual e chato, porque temos as artes, em geral, e a música, em particular, para nos çalvar. Uma prova de que a arte está sempre nos çalvando, é que nessa área, tivemos coisas boas para comemorar no balanço final de 2006. O disco de Marisa Monte foi eleito o segundo melhor do ano pelo The New York Times, uma banda que até outro dia, tinha várias metrancas da maledicência apontadas para os seus integrantes, o “Cansei de Ser Sexy” também cresceu e apareceu. Lá fora. Negra Li lançou um CD, aqui, que teve ótima repercussão. Pitty, Maria Rita, Lenine, MV Bill, Racionais MCs, Nação Zumbi, Leandro Sapucahy, Nação Maré, Nelson Sargento, Jamelão, Marcelo D2, Fernanda Abreu, Jorge Mautner, mais um monte de gente boa, também estavam na área, nos çalvando. Aproveito o ensejo para desejar a todos um Ano Novo com muita “Paz, Amor e Atitude”. E também esclarecer a razão de ser desta coluna. Gostaria de deixar claro que não existe aqui nenhum interesse em destilar venenos, avacalhar pessoas, trabalhos. Quando percebo que o negócio está indo para o lado pessoal, abandono o tema. Mas antes, se preciso for, faço uma mea culpa, pois respeitar o ser humano é fundamental. Logo, se magoei alguém, peço mil desculpas. Contudo, existe uma coisa chamada personalidade musical que é igual ao ponto G. Pode ser tosca, mal acabada, mas antes de encontrá-la, um artista não consegue ter paz. Não adianta tentar enganar a si mesmo. Isso inclui o tratamento que se dá à música, jeito de cantar, compor e também movimentar-se no palco e lidar com o público. Pensando nisso, torço e apelo para que os vários estilos musicais baianos possam ter espaço para se expressarem no ano vindouro e sempre. E que a música da Bahia volte a ser respeitada e admirada pela sua riqueza e diversidade. Que esse negócio de "discurso único", ninguém merece! Outra coisa, não tenho pretensão, nem preparo, nem talento, para ser uma crítica musical. Deixo a tarefa para quem entende do riscado: João Máximo, Bernardo Araújo, Antonio Carlos Miguel, Tom Leão, Jamari França, Bruno Natal, Carlos Albuquerque, Joaquim Ferreira, Arnaldo Bloch, Arthur Dapieve e outros que não sei o nome, mas que fazem bem e dignamente o seu trabalho. Também não é minha intenção transformar isso aqui em baba ovo de celebridades. Nem vem que não tem. Se alguns artistas respeitados nacional e internacionalmente são citados, é porque são bons, sérios, vem para somar. Ignorá-los em nome da maledicência e como diz o "Mano" Caetano, tendência ao derrotismo, nem pensar. Eu quero é mais. Que venham grammyzados, oscarizados, laureados. Ou não. Mas, como eu ia dizendo, escrever sobre esse personagem que acabou tornando-se um símbolo do inesperado ano de 2006, não foi uma escolha puramente racional, mas obra do acaso. A situação apresentou-se à minha frente, naquele fatídico Tim Festival, quando, com a “alma em combustão”, perdi o show do Daft Punk. E acabei por ironia do destino sendo çalva pelo show de Caetano Veloso. Há muito tempo que eu faço este questionamento, afinal, para que e quem eu escrevo? Minha amiga, Kika, que também estava lá, sem ingresso, “na pista”, depois de ler o artigo sobre o “Cê”, fez a pergunta fatal: ‘Afinal, como você classifica o que escreve’? Sintonia total, a busca de uma resposta, urgente, antes que o ano acabasse tinha tornado-se uma das minhas prioridades, tinha o texto prontinho na mente. Crônica Musical. Pois, desta forma posso reunir duas das minhas três paixões – música, literatura e dança. Então, leiam o artigo sobre Caetano. “É rockz p...!”. Desejo toda a saúde do mundo ao cantor, compositor e filósofo Jamelão. E mais uma vez aproveito para parafraseá-lo. “Que o ano de 2006 termine em melado e 2007 seja doce, doce, doce.” Noemia Duque Rio de Janeiro, 01/01/2007 |
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